Wednesday, March 22, 2006


PGD - Diagnóstico Genético Pré-Implantatório

"O avanço da engenharia genética poderá permitir, no futuro, determinar as características dos bebés, de forma a torná-los mais saudáveis, inteligentes e bonitos, afastando da ribalta práticas reprodutivas polémicas como a clonagem.
Num dia em que se anunciou que o terceiro bebé clonado está prestes a nascer (embora ainda sem quaisquer provas em relação aos dois presumíveis clones humanos já existentes), cientistas norte-americanos sublinharam a intervenção da genética em outras técnicas reprodutivas com sucesso já comprovado. "A clonagem serve apenas para desviar as atenções", afirmou o biólogo Lee Silver, da Universidade de Princeton, cujo livro "Remarking Eden" (1997) oferece uma visão de um futuro em que os pais poderão jogar com a hereditariedade. A combinação do conhecimento genético com os avanços na tecnologia reprodutiva já permite aos pais seleccionar alguns dos genes que querem (ou não) transmitir aos seus filhos. Um dia, dizem os cientistas, a ciência permitirá a criação de características ou genes humanos que nunca existiram nos pais. Um exemplo claro que ilustra o futuro cada vez mais próximo da reprodução humana é a história de Adam, um bebé "desenhado" para ter certas características e "escapar" a outras. Os pais de Adam tinham já uma filha, Molly, que sofria de uma doença genética rara (Anemia de Fanconi). Ao mesmo tempo que pretendiam que o segundo filho nascesse sem este problema, era necessário que partilhasse algumas características genéticas com Molly, que precisava urgentemente de um transplante de medula para sobreviver. Com a ajuda de Yury Verlinsky, um geneticista do Instituto de Genética Reprodutiva de Chicago, foram desenvolvidas várias dúzias de embriões através de fertilização in vitro, sendo escolhido para implantação aquele com as características genéticas mais adequadas à situação e que daria origem ao bebé pretendido, Adam. Ou seja, ao contrário de "Eva", o alegado primeiro clone humano, Adam não é uma cópia de ninguém mas um bebé com características escolhidas pelos pais e que permitiram, neste caso, salvar uma vida. O procedimento pode ser utilizado também, por exemplo, para evitar a transmissão de genes que provocam doenças como a fibrose quística ou a hemofilia, ou ajudar mulheres com mais de 30 anos a evitar os riscos acrescidos de terem filhos com a síndroma de Down. Designada por Diagnóstico Genético Pré-Implantatório (PGD, sigla em inglês), a técnica não modifica os embriões, apenas cria um número mais alargado de embriões através de fertilização in vitro, analisando-os depois para verificar qual o que preenche os requisitos desejados (habitualmente ausência de um gene defeituoso). Utilizar esta técnica para tornar as crianças mais altas ou inteligentes é, por enquanto, impraticável, em parte porque o PGD está limitado às características genéticas existentes nos pais. Por outro lado, características complexas como a altura ou a inteligência são influenciadas por um grande número de genes, tornando improvável que todos os melhores genes se concentrem num único embrião. No entanto, já existem experiências científicas em animais nas quais os investigadores inserem directamente os genes pretendidos, dando origem, por exemplo, a vacas e cabras cujo leite contém medicamentos. Por enquanto, inserir genes em embriões é uma tecnologia cheia de imperfeições, com mais riscos do que benefícios, e que deverá demorar ainda algumas décadas antes de a situação se alterar. Contudo, quando os investigadores compreenderem que genes controlam que características e como se podem minorar os efeitos negativos do ambiente (como má nutrição, por exemplo) será possível "produzir" bebés resistentes ao cancro, às doenças cardíacas e mentais e até à sida. Opções legais poderão, no entanto, bloquear estes avanços, que entre os cientistas não são alvo de unanimidade do ponto de vista ético. "A questão recente da clonagem de humanos, ainda não provada cientificamente, já nos fez perceber que não temos os meios legais adequados para lidar com estas situações", sublinhou o bioético Jeffrey Kahn, da Universidade do Minnesota."
Fonte: "in Lusa"

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